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Colados no sofá: como um aditivo alimentar comum nos tira a vontade de fazer exercício

Por Sarah Palanques Tost em El País Brasil
9 fev. 2019

 

Os fosfatos conservam os alimentos e potencializam seu sabor, mas também dificultam a síntese de combustível para os músculos

 

Fonte: El País

Fonte: El País

Hoje você atravessou a piscina trinta vezes, fez seus cem abdominais e treinou com seus pesos de oito quilos, tudo depois de dar a volta no bairro correndo, duas vezes. Um dia de exercício normal… nos seus sonhos. A realidade foi a mesma de sempre: chegou em casa esgotado de ficar o dia todo sentado no trabalho, ligou a televisão e não foi capaz de levantar-se do sofá nem para tirar o lixo. Você é sedentário, mas não se sinta mal por isso, coloque a culpa nos fosfatos. Segundo um novo estudo científico, esse aditivo comum nos alimentos processados pode ser responsável por sua perda de interesse no exercício físico.

A nova pesquisa chegou a essa conclusão depois de comparar o consumo de oxigênio em ratos alimentados com uma dieta rica em fosfatos com o de outros que não se excediam em seu consumo. Os roedores que se enchiam do aditivo “não conseguiram gerar ácidos graxos suficientes para alimentar seus músculos”, conclui a pesquisadora principal do estudo, Wanpen Vongpatanasin. Segundo os resultados de seus experimentos, a expressão de muitos genes envolvidos no metabolismo muscular mudou depois de 12 semanas de uma dieta rica em fosfatos.

Mas as pessoas não são ratos, então não têm de se preocupar… Ou têm? A equipe de Vongpatanasin também analisou os dados do Estudo sobre o Coração de Dallas, um trabalho que teve início no ano 2000 e cujo principal objetivo é melhorar o diagnóstico, a prevenção e o tratamento das doenças da bomba que movimenta o fluido vital pelo corpo todo. Depois de monitorar a atividade física de participantes de várias etnias, de 18 a 65 anos, os dados recolhidos nesse projeto indicam que a resposta ao fosfato em humanos é muito similar à dos ratos. Os níveis mais altos do composto também estão relacionados a uma redução do tempo que as pessoas dedicam a fazer exercício, assim como ao aumento dos períodos de sedentarismo.

Então, declaramos guerra aos fosfatos?

Não, os fosfatos não são o inimigo. “São compostos que estão presentes em nosso organismo de maneira natural, que fazem parte de nossos ossos, dentes, dos lipídios das membranas celulares… Estabilizam o DNA e ajudam a produzir ATP, uma molécula que o corpo utiliza para armazenar energia”, explica o biólogo e nutricionista Carlos Galve. Os fosfatos controlam as enzimas envolvidas no metabolismos energético e a expressão de genes como os relacionados com a síntese de ácidos graxos no músculo, usados como combustível durante o exercício físico.

Por isso não é estranho que o novo estudo conclua que “uma baixa expressão dos genes faz o músculo consumir menos quantidade de oxigênio, e não conseguir oxidar as gorduras para obter energia”, explica Galve. O que equivale a dizer que cada vez será mais difícil levantar o traseiro do sofá se vivermos à base de alimentos processados. Não teremos os genes em forma.

E como se evita que os fosfatos o tornem um ser sedentário, alheio a todo interesse pelo exercício físico? Quanto fosfato se pode tomar antes que isso ocorra? Infelizmente, essas são as questões nas quais os cientistas menos podem oferecer respostas, mas cada vez mais há pesquisadores expressando sua preocupação com a quantidade de fosfatos em forma de aditivos alimentares.

Nos embutidos, no café, na massa, nos biscoitos, nas bebidas…

Esses aditivos “estão presentes em muitos alimentos processados, inclusive em alguns que tradicionalmente não são considerados alimentos ricos em fosfatos porque a matéria-prima tem baixa quantidade dessa substância”, explica o chefe do serviço de Nefrologia e Hipertensão do Hospital Fundação Jiménez Díaz e responsável pela área de Pesquisa da Sociedade Espanhola de Nefrologia (SEN), Alberto Ortiz. Sua função é conservar e potencializar o sabor de produtos de origem animal como carnes, peixes, moluscos, crustáceos, leite e derivados. Também se usam “para a conservação de bebidas como chá, café, cereais, sucos de frutas, molhos, óleos untáveis, conservas de frutas e hortaliças, licores destilados de graduação acima de 15º, sidra, pães e massas… os produtos elaborados com ovos, cacau ou chocolate, purês e biscoitos salgados”, enumera o biólogo Carlos Galve.

A lista é interminável, e parece difícil comer algo que não esconda fosfato de sódio, de potássio, de cálcio… Evitá-los é especialmente difícil porque é necessário memorizar muitos números: é preciso olhar os rótulos dos alimentos e saber que os fosfatos mais comuns correspondem aos códigos E338, E339, E340, E341, E343, E450, E451, E452….

Uma revisão dos estudos científicos disponíveis sobre a relação da alta ingestão de fosfatos e mortalidade em pacientes com doenças renais associou um alto consumo de fosfatos como aditivos alimentares a um aumento do risco cardiovascular. A pesquisa levou a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA, em sua sigla em inglês) a colocar em andamento uma revisão do aditivo, em 2013, a pedido da Comissão Europeia.

Mas o resultado dos estudos analisados, que não mediam o efeito dos fosfatos em um ambiente controlado a ponto de permitir conhecer com detalhes sua influência no organismo, levou a EFSA a concluir que a relação entre seu excesso e dano o renal não pode ocorrer sem dúvida, de uma perspectiva científica. Mas tem muita chance de ser plausível, levando-se em conta que “atualmente a EFSA está discutindo com a Comissão Europeia sua opinião científica sobre a reavaliação da segurança dos fosfatos como aditivo alimentar”, segundo o organismo europeu declarou a BUENAVIDA.

Algumas avaliações sobre os efeitos do fosfato na dieta realizadas antes da determinação da EFSA, como as feitas pelo Comitê Misto FAO/OMS de Especialistas em Aditivos Alimentares, recomendaram não ultrapassar 700 miligramas diários, quando uma dieta ocidental pode incluir até 3 gramas. De sua parte, os pesquisadores do novo estudo afirmam em suas conclusões que, “uma vez que o fosfato inorgânico é usado amplamente na ingestão de alimentos, são necessários mais estudos para definir melhor o impacto dessa substância na saúde”.

Sem alternativas convincentes

Além de fazer nossos músculos se tornarem preguiçosos, os cientistas observaram outros efeitos adversos associados a este aditivo. “O excesso de fosfato acelera o envelhecimento por meio de várias vias moleculares. Por exemplo, sabe-se que o principal mecanismo do efeito antienvelhecimento da proteína Klotho é nos proteger do excesso de fosfato da dieta, favorecendo sua eliminação na urina”, continua o chefe de Pesquisa da SEN, Alberto Ortiz. Por sua vez, 10% dos adultos na Espanha têm doença renal crônica, uma porcentagem que chega a 60% entre os mais velhos de 80 anos. “E todas essas pessoas têm sérios problemas para eliminar o excesso de fosfatos da dieta”, garante.

O especialista tem consciência de que a melhor recomendação para prevenir o excesso de fosfatos é tão simples quanto difícil de implementar na sociedade atual, na qual as porções são grandes demais e se recorre aos alimentos processados com frequência excessiva. E, como a inclusão dos fosfatos como aditivos se deve ao fato de conservarem e potencializarem o sabor dos alimentos, encontrar um substituto que não frustre as expectativas dos consumidores não é fácil para a indústria alimentícia.

Isso sim, enquanto a inocuidade desse aditivo continuar sob revisão, não é demais seguir as recomendações de Ortiz: Comer apenas alimentos cozidos a partir de ingredientes crus, sem recorrer aos processados, evitar tudo que venha em vidros, latas ou que seja previamente processado”. E beber água, sobretudo se você for homem (vai precisar de mais líquido para manter-se hidratado).

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